
Tristeza e incerteza, esses foram os sentimentos que tomaram conta dos moradores do Conjunto Inácio Barbosa. A Academia da Cidade, que realizava atividades em praças, quadras e calçadões em vários bairros de Aracaju, incentivando as pessoas a praticar exercícios físicos ao ar livre e em locais de fácil acesso, acabou na manhã dessa terça-feira, 1°.
De acordo com os moradores do bairro, ao chegarem ao local das atividades, foram avisados a cerca do término da academia. “Desde o início faço parte da academia, mas hoje fui surpreendida com a notícia que a academia não vai mais existir”, relatou dona Leah Damaris Marques, de 59 anos.
Durante seis anos, moradores do local, participavam das atividades desenvolvidas pelos professores e estagiários da academia, com a perspectiva de manter uma alimentação saudável, melhorar a saúde e ampliar a qualidade de vida da população. “Falou-se tanto em qualidade de vida em Aracaju e agora estão acabando com uma coisa tão boa como essa”, pontuou Leiah.
Para José Antônio de Mendonça, 62 anos, conhecido como Toinho, a Academia da Cidade era muito mais que fazer atividades físicas. “Nós tínhamos a oportunidade de desenvolver atividades mentais, sociais e de lazer, pois muita gente teve a oportunidade de interagir com pessoas que não conheciam, morando há 30 anos no mesmo bairro”, comentou Toinho.
Participantes como Maria Rita de Sousa Lima, 32 anos, Saudalina Sousa de Mendonça, 58 anos, o término da Academia da cidade trará prejuízo para a saúde da população. “Gente será que as pessoas não percebem que a academia nos ajudava demais? Muitos dos nossos problemas de articulação e de movimentação eram trabalhados aqui”, revelou Maria Rita.
Saudalina também pontuou que sofre de pressão alta e diabetes e que as atividades físicas ajudavam no controle das enfermidades. “Com o término da academia os posto de saúde estarão mais cheios ainda, pois muita gente voltará a sofrer com dores, aumento de açúcar e outras coisas”, comentou.
Saudalina ainda ressaltou que teme pela saúde das pessoas que dependem da saúde pública. “A cada dia nós vemos como anda a nossa saúde, basta olhar o que aparece na imprensa. Não consigo entender como é que acabam com uma coisa que só nos fazia bem”, pontuou.
Ainda de acordo com os moradores, muitas pessoas que apresentavam algum tipo de dificuldade motora ou outra enfermidade, tiveram bons resultados após a Academia. “ Tinha gente que não conseguia andar direito, outras que tiveram derrame e precisaram de atividades motoras, além de pessoas com depressão que encontraram aqui uma forma de dividir os problemas”, comentou Leiah Damades.
Um exemplo disso é José Nivaldo dos Santos, 57 anos, que é deficiente visual e que encontrou na Academia uma nova forma de enxergar a vida. “ Para mim é muito bom, porque não me sinto diferente das outras pessoas. Mesmo sem enxergar, os professores me orientavam e eu conseguia acompanhar. A atividade me deixava muito feliz”, finalizou.
A reportagem do Portal Infonet tentou contato com o secretário, mas não obteve êxito. Conseguimos falar com a Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Saúde que ficou de retornar com as explicações, mas até o fechamento da matéria não recebemos o e-mail.
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