***Atividade Física na Academia e Diabetes

enviada por Carolina Rezende | data: 28.07.2008 | categoria: Saúde

 

 



 

 


 


 


1- INTRODUÇÃO


 


O Ministério da Saúde (2002) define Diabetes Mellitus como uma síndrome de etiologia múltipla, decorrente da falta de insulina em exercer adequadamente seus efeitos, caracterizando-se por uma elevação dos níveis de glicose no sangue acima dos valores basais (hiperglicemia crônica), resultando em distúrbios do metabolismo dos carboidratos, proteínas e lipídios, que está associada a complicações crônicas e falência de vários órgãos, principalmente os olhos, os rins, os nervos e os vasos sanguíneos.


Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes a classificação recomendada elimina os antigos termos "Diabetes Mellitus insulino-dependente" e "não insulino-dependente", passando a ser classificada como Diabetes tipo I ou juvenil e Diabetes tipo II, as quais possuem etiologias diferentes. A primeira representa cerca de 10% dos casos e manifesta-se tipicamente durante a infância ou adolescência, embora recentemente se tenha verificado que os adultos também podem desenvolver esta forma de diabetes, em alguns casos já por volta dos 40-50 anos de idade. Perfazendo 90% dos casos, a diabetes do Tipo II está principalmente associada a idades mais avançadas. No entanto, cada vez mais, este tipo de diabetes tem sido diagnosticado em jovens adultos, ou mesmo em adolescentes, devido ao aumento no índice de obesidade.


O Diabetes Mellitus é um grave problema mundial de saúde, tanto com relação ao número de portadores quanto aos custos referentes ao seu tratamento. Sua incidência tem aumentado consideravelmente nos países desenvolvidos como resultado das mudanças nos hábitos alimentares e no nível de atividade física, presenciados atualmente. Em 1994, o índice de diabéticos no mundo era aproximadamente 100,4 milhões. A previsão para 2010 é de 239 milhões de pessoas diabéticas, segundo dados da Federação Internacional de Diabetes.


No Brasil, uma estimativa feita em 1998 esperava, para 2025, um aumento superior a 100% no número de diabéticos em relação aos 5 milhões já existentes, chegando a 11 milhões. Entretanto, dados de 2003 mostram cerca de 12 milhões de brasileiros diabéticos, sendo 7,8 milhões destes com diagnóstico confirmado e 4 milhões sem diagnóstico.


Desde o século XVIII, o exercício vem sendo defendido como instrumento benéfico no tratamento de pacientes com Diabetes Mellitus. Como ocorre em indivíduos sem diabetes, pacientes com Diabetes Mellitus, apresentam um aumento na utilização periférica da glicose associado com um aumento da sensibilidade periférica à ação da insulina que persiste por 12 horas ou mais após o final do exercício.


Vários estudos científicos têm comprovado a eficiência da atividade física na prevenção e tratamento do Diabetes Mellitus. Outros estudos trazem ainda as vantagens da associação entre exercício físico e nutrição no controle desta doença, como forma de trazer benefícios à qualidade de vida dos portadores de Diabetes a curto, médio e longo prazo.


A partir desta breve explanação, iremos aprofundar nossos estudos sobre a atividade física na academia e diabetes, discutindo sobre suas causas, tipos de tratamento, prescrição de atividades físicas e sua influência na prevenção e tratamento do Diabetes Mellitus.



2- METODOLOGIA


 


 


Nosso estudo caracteriza-se por uma pesquisa bibliográfica, desenvolvido com base em várias referências bibliográficas, buscando o conhecimento e a análise das contribuições científicas existentes sobre o assunto, constatando-se que o exercício físico é um importante fator no tratamento do Diabetes Mellitus.


 


 



3- ASPECTOS CONCEITUAIS DO DIABETES MELLITUS


 


 


O Diabetes Mellitus é caracterizado pela hiperglicemia e problemas metabólicos associados. Existem dois tipos predominantes: Tipo I e Tipo II. O primeiro é mais comum em adultos jovens e crianças, surgindo através de um processo auto-imune, com destruição física das células pancreáticas isoladas.


Na pessoa idosa ocorre o diabetes tipo II, onde o problema, segundo Shephard (2003), deriva mais freqüentemente do desenvolvimento de resistência celular à insulina, ou seja, há um declínio no número ou na sensibilidade dos receptores de insulina, ou uma falha no sistema de segundo mensageiro, o qual inicia a síntese intracelular de glicogênio.


A etiologia do quadro diabético no tipo II é bastante complexo, mas podemos apontar alguns fatores que potencialmente favorecem essa condição, tais como: o aumento na quantidade de tecido adiposo, diminuição da massa magra, diminuição da atividade habitual e o aumento da atividade simpática. A perda de sensibilidade à insulina é maior nos músculos do que no tecido adiposo, o que favorece um maior acúmulo de gordura, tornando-se um processo cíclico.


De acordo com Costa (200_) a classificação atual adotada pela Sociedade Brasileira de Diabetes engloba outros tipos além dos tradicionais tipos I e II. Existe também o tipo III, derivado de casos específicos como defeitos genéticos, infecções, endocrinopatias e outras patologias correlacionadas; e o tipo IV, também denominado de diabetes gestacional, pois manifesta-se numa gestante que não era diabética antes da gravidez. Geralmente desaparece ao final do período gestacional, porém já foram relatados casos em que o Diabetes Mellitus permaneceu mesmo após o fim da gravidez.



4- PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIOS PARA INDIVÍDUOS DIABÉTICOS


Segundo Mercuri e Arrechea (2001), a atividade física se constitui em um fator importante para a prevenção e o tratamento da Diabetes Mellitus. Uma das primeiras modificações benéficas observadas com a prática regular de atividade física, conforme Durak apud Shephard (2003), é um aumento da demanda de carboidratos, o que ajuda a manter a glicose sérica em uma concentração mais constante, contribuindo para melhorar a qualidade de vida do portador dessa patologia.


Também são evidenciados outros benefícios, a curto, médio e longo prazo, decorrentes de um estilo de vida ativo, tais como: aumento do consumo da glicose; diminuição da concentração basal e pós-prandial da insulina; aumento da resposta dos tecidos à insulina; melhora dos níveis da hemoglobina glicosilada; diminuição dos triglicerídeos; aumento da concentração de HDL-colesterol; diminuição em pequena proporção da concentração de LDL-colesterol; contribuição na diminuição da pressão arterial; aumento do gasto energético, favorecendo a redução do peso corporal, diminuindo a massa total de gordura, preservando e aumentando a massa muscular; melhora do funcionamento do sistema cardiovascular, aumento da força e elasticidade muscular, promoção de uma sensação de bem-estar e melhora da qualidade de vida (MERCURI E ARRECHEA ,2001).


Entretanto, para que esses efeitos possam se materializar, é necessário a realização de prescrições corretas, considerando a individualidade biológica do praticante, mais especificamente sua idade, grau de treinamento anterior e do controle metabólico, duração do diabetes e presença de complicações específicas da doença. Deste modo, Vianna apud Costa (200_) lembra que a obtenção de um exame que relate a condição dos níveis sanguíneos de glicose, assim como também a realização de uma avaliação física que determine todos os limites de esforço que poderão ser tolerados pelo praticante é primordial para a prescrição de exercícios direcionada a indivíduos diabéticos.


No que diz respeito ao Diabetes tipo I, a prescrição de atividade física para melhorar o controle glicêmico apresenta diferentes opiniões de especialistas. Porém um ponto em comum é que o uso freqüente de técnicas de auto-monitorização glicêmica e a implantação de insulinoterapia intensificada permitem ao paciente portador desse tipo de diabetes desenvolver estratégias e ajustes no consumo de carboidratos e doses de insulina, para poder participar de maneira mais segura em programa de atividade física. Sendo assim, "a American Diabetes Association (ADA) estimula a participação de diabéticos tipo I em programas com exercícios moderados, pois estes permitem o aprimoramento da capacidade cardiovascular e o bem estar psicológico" (COSTA, 200_).


Após o término da atividade, a musculatura continua captando glicose mais eficientemente, com o objetivo de recompor o glicogênio muscular e hepático, bem com recuperar o organismo, podendo ocorrer hipoglicemias até 48h após o término do exercício.



Dentre os benefícios a curto prazo, o aumento do consumo de glicose como combustível por parte do músculo em atividade, contribui para o controle da glicemia. O efeito hipoglicemiante do exercício pode se prolongar por horas e até dias após o fim de exercício. Esta resposta metabólica normal pode ser alterada durante os estados de extrema deficiência de insulina ou excesso da mesma, o que é responsável por um risco maior de hipoglicemia e/ou hiperglicemia e ocorrência de cetoacidose. (MERCURI E ARRECHEA ,2001).


 O Diabetes Mellitus do tipo II, entre 60 e 90 % dos casos desenvolvem-se naqueles que já são obesos. No entanto, mesmo na ausência de obesidade a população idosa mostra uma tendência ao declínio na resposta à insulina, além do controle sobre a liberação da glicose hepática que também é diminuído.


Infelizmente não é possível evitar as influências da genética e do envelhecimento sobre o risco de desenvolvimento de diabetes, porém vários pesquisadores sugerem que a atividade física regular e o fato de evitar a obesidade sejam importantes medidas preventivas. Segundo Shephard, "comparações transversais dentro de sociedades desenvolvidas também demonstram uma associação entre inatividade física e Diabetes Mellitus do tipo II clinicamente diagnosticado" (SHEPHARD, p 270, 2003).



 


 


 


5- Prescrição de exercícios FÍSICOS DE ACADEMIA


 


5.1 Exercícios Aeróbios


 


Conceitualmente, pode-se afirmar que os exercícios aeróbios são todos aqueles em que predomina a produção de energia a partir das vias que utilizam o oxigênio, englobando, em geral, atividades que envolvem grandes grupamentos musculares, pequena ou moderada intensidade e uma longa duração (COUTINHO apud COSTA, 200_).


Quanto à prescrição de exercícios aeróbios para diabéticos do tipo II, não há mais dúvidas de que sua utilização bem orientada é benéfica, sendo considerada hoje como um dos pilares para a prevenção e o tratamento contra esta doença. As prescrições de exercícios aeróbios são de fundamental importância para que ocorra a otimização das adaptações biológicas, favorecendo modificações cardiovasculares, no percentual de gordura e no perfil hormonal. Neste sentido, três fatores devem ser considerados na hora de realizar a prescrição: freqüência, duração e intensidade do exercício físico.


Em relação à freqüência, alguns pesquisadores indicam que o ideal seria de 4 a 7 dias por semana, mantendo-se sempre a regularidade. Já Mercuri e Arrechea (2001) recomendam uma freqüência diferenciada para portadores de Diabetes Mellitus tipo II obesos (IMC > 30 kg/m2) e não obesos, indicando a prática diária para os primeiros e freqüência de 3 a 4 dias semanais para não obesos.


No que se refere à duração das atividades, a maioria dos autores concordam com durações que variam entre 20 e 60 minutos, não devendo ultrapassar 60 minutos, pois o risco de hipoglicemia se torna bastante acentuado em virtude da completa depleção das reservas de carboidratos que geralmente ocorre em atividades que ultrapassam 1 hora de duração (FOSS E KETEYIAN, 2003).


Quanto a intensidade dos exercícios aeróbios, existem dois parâmetros de controle que geralmente são utilizados para a prescrição direcionada à indivíduos diabéticos: o consumo máximo de oxigênio (VO2 máx.) e a freqüência cardíaca máxima (FC máx.). Quando o VO2 máx. é utilizado, as recomendações encontradas na literatura indicam que, para diabéticos, variações de intensidades adequadas estão entre 50 e 75% . Já quando a FC máx. é utilizada como parâmetro, as prescrições encontradas variam de 50% a 80% da FC máx., considerando a condição física, a idade e o grau de treinamento (MERCURI E ARRECHEA; COSSENZA apud COSTA,200_).


 



5.2 Exercícios Anaeróbios


Os exercícios de força são definidos como sendo atividades contra resistência utilizadas em ambientes competitivos, profiláticos, terapêuticos, estéticos e de preparação física (BITTENCOURT apud COSTA, 200_). Quando aplicados em indivíduos diabéticos, os objetivos profiláticos e terapêuticos devem ser priorizados.


Os exercícios de força são basicamente constituídos por dois tipos de sobrecarga: tensional e metabólica. A sobrecarga tensional representa o grau de tensão que ocorre nos músculos durante a contração, sendo representada pela carga de trabalho. Já a sobrecarga metabólica representa a solicitação acentuada dos processos de produção de energia, principalmente a partir da glicólise anaeróbia. Do ponto de vista prático é dada pelo número de repetições mais elevado e pelos intervalos mais curtos entre as séries.


Quando se trabalha com indivíduos diabéticos, tipos I ou II, alguns autores afirmam que a utilização de elevadas sobrecargas tensionais deve ser evitada, sob o argumento de que a utilização de altas cargas de trabalho provoca aumentos súbitos e acentuados da pressão arterial, sendo prejudicial a diabéticos em virtude da fragilidade vascular geralmente apresentada por estes indivíduos. Estas evidências sugerem que a sobrecarga metabólica, associada a sobrecarga tensional em nível moderado, representa a melhor alternativa para a aplicação dos exercícios de força em pessoas portadoras de Diabetes Mellitus.


Para Rocha (2001), no que diz respeito às prescrições do treinamento de força, recomenda-se uma diminuição da intensidade e um aumento do número de repetições, dado que elevadas intensidades aumentam os riscos de patologias no diabético. Qu


Em relação aos tipos de respiração durante a realização do movimento, Costa (200_) recomenda que:



os métodos bloqueador e combinado não sejam aplicados, pois podem vir a gerar a manobra de valsalva e com isto acarretar acentuadas e potencialmente perigosas elevações da pressão arterial. Em contrapartida, o método ativo de respiração se constitui em uma boa alternativa para o trabalho com alunos diabéticos que freqüentam regularmente as academias.


A prescrição correta dos exercícios de força seguindo as recomendações anteriormente citadas pode gerar importantes benefícios fisiológicos ao indivíduo diabético.



6- CONCLUSÃO


 


Segundo Pollock e Wilmore (1993), os principais objetivos dos exercícios destinados ao paciente diabético seriam a otimização da capacidade funcional, o controle do peso corporal, a modulação dos níveis glicêmicos e a redução de outros fatores metabólicos de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Para que tais objetivos sejam atingidos, os exercícios devem ser prescritos corretamente, assim como também se faz necessária a adoção de algumas diretrizes gerais para a correta aplicação das atividades, tais como: Exame clínico e avaliação física, exercício regular, pico de insulina e exercício, local da aplicação de insulina e exercício, medicamentos e exercício, concentrações séricas de glicose e exercício, hipoglicemia pós-exercício.


Ao adotar as diretrizes gerais anteriormente mencionadas, acreditamos existir grande possibilidade de que a prática regular de atividades físicas, direcionada aos indivíduos diabéticos atinja os objetivos que foram planejados, garantindo o sucesso do programa de treinamento e a segurança do praticante que se exercita.


 


 



 


 


 



REFERÊNCIAS


 


 


COSSENZA, C. E. Personal Training. Rio de Janeiro: Sprint, 1996.


COSTA, A. J. S. da. Considerações gerais sobre a prática regular de atividades físicas

direcionada aos portadores de Diabetes Mellitus.
Disponível em <http://www.efartigos.com.br> Acesso em : 11 de Fevereiro de 2007, 10:47’.


FOSS, M. L., KETEYIAN, S. J. Bases Fisiológicas do Exercício e do Esporte. 7ª ed. Rio de janeiro: Guanabara Koogan, 2003.


GUYTON, A. C. Fisiologia Humana. 6 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1988.


MARTINS, V. Diabetes x Fitness. Disponível em <http://www.cefitness.com> Acesso em: 15 de Dezembro de 2006,15:54’.


MATSUDO, S.M.M. Envelhecimento e Atividade Física. Londrina: Midiograf, 2001.


Mercuri N; Arrechea V. Atualização - Atividade Física e Diabetes Mellitus. Disponível em <http://www.efescolar.xpg.com.br> Acesso em : 02 de Janeiro de 2007, 21:38’.


POLLOCK, Michael L., WILMORE, Jack M. Exercícios na saúde e na doença. 2 ed. Rio de Janeiro: medsi, 1993.


ROCHA, P. Exercício e Diabetes. Disponível em <http://www.cefitness.com> Acesso em: 15 de Dezembro de 2006, 16:24’.


SHEPHARD, R.J. Envelhecimento, Atividade Física e Saúde. São Paulo: Phorte, 2003.


 


*** Autores:


       


Keylla Sonally Carvalho Santos (UFS)


Kelli Maria Souza Santos(UFS)


Laete de Oliveira Cordeiro(UFS)


Maria Carolina Rezende(UFS)






Fonte: Interativ


  • Por milena em 01.09.2008 às 21:08h
    E-mail: milena.rocha1@gmail.com

    Trabalho de fisio


     

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