
Fonte: Correio Braziliense
O concurso do Senado foi muito criticado pelos candidatos que fizeram prova no último domingo. As principais reclamações estão focadas nas falhas de organização, que estava sob a responsabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A seleção recebeu cerca de 43 mil inscritos e foi realizada em seis estados e no DF.
Relatos de falta de orientação adequada dos fiscais, desrespeito ao edital e falhas na fiscalização tomam conta dos fóruns de discussão na internet. Os candidatos ficaram decepcionados e associaram o que ocorreu à falta de respeito e aos problemas do concurso da Câmara dos Deputados. “Depois de todas as irregularidades ocorridas no concurso da Câmara, esperávamos que o mesmo não ocorresse com o Senado”, lamentou Euslene Souza. “O primeiro erro foi na escolha de uma banca que não estava preparada para a realização das provas”.
“A FGV utiliza métodos arcaicos de verificação de conhecimento, faz exigências desnecessárias, como a de mínimo de 50% de acerto em todas as provas”, observou Clícia Leite Antão, candidata ao cargo de processo legislativo. “Algumas questões tinham dupla interpretação e o conteúdo que não estava previsto no edital acabou sendo cobrado”, disse. Pedro Gustavo Feitosa, candidato ao cargo de policial legislativo.
Cegos
A candidata ao posto de processo legislativo Luzia Isabel Aquino vive momentos dramáticos. Deficiente visual, Isabel solicitou que a prova estivesse em braile, que fosse realizada em sala individual com acesso a um computador que “lesse” os enunciados e um ledor. A prova que ela recebeu estava em uma folha com o dobro do tamanho normal e em letras maiores. “Como eu faria uma prova se sou completamente cega? A FGV deferiu minha solicitação, mas na hora, não tive como fazer a prova”, afirmou indignada.
Uma fiscal que trabalhou onde Isabel deveria fazer a prova confirmou que não havia nenhuma prova em braile e que a falta de atendimento às necessidades dos deficientes visuais atrapalhou. “O tempo perdido no começo da prova foi concedido no final, mas eles estavam abalados”, disse a fiscal, que preferiu não ser identificada.
Isabel, que é bacharel em direito, está decidida a entrar na Justiça. “Quero pedir impugnação desse concurso.” Outros candidatos já enviaram e-mails para o Senado, FGV e para o Ministério Público Federal no DF. Porém, até as 19h de ontem, nenhuma denúncia havia sido protocolada oficialmente no MPF.
Procurada pelo Correio, a FGV orientou que a comunicação fosse feita por e-mail, mas não houve resposta até o fechamento desta edição. O direitor-geral adjunto do Senado, José Alexandre Lima Gazineo, disse não ter conhecimento sobre as reclamações e informou que todas as divergências devem ser comunicadas à organizadora, que tem responsabilidade contratual em relação a isso.
O gabarito preliminar oficial foi divulgado às 18h de ontem no site da organizadora (www.fgv.br). Hoje e amanhã, os candidatos que discordarem das respostas podem protocolar recursos.
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