Prefeito p?e auxiliares para varrer rua

enviada por | data: 23.01.2009 | categoria:

No interior, quem não votou no prefeito varre rua

Em Malhada dos Bois, um grupo de aproximadamente 30 mulheres, entre atendentes e merendeiras, foram removidas de seus locais de trabalho para varrer as ruas da cidade

23/01/2009 - 16:13


 


 

Elas se aglomeraram no centro da cidade para reclamar

Na cidade de Malhada dos Bois, a 90 km de Aracaju, uma cena de humilhação baseada em abuso de poder e intimidação política. Um grupo de mulheres, composto por atendentes e merendeiras, por exemplo, foram retiradas de seus postos de trabalho para varrerem as ruas da cidade. “Tudo isso porque não votamos no prefeito”, explica Rita de Cássia, auxiliar de serviços que virou gari.


 


Desde o dia 5 de janeiro elas enfrentam uma jornada de oito horas diárias, sob um sol escaldante e nenhum material de apoio fornecido. As luvas, máscaras, bonés e viseiras foram adquiridos por elas mesmas com o salário que ganham pela função, remuneração que este mês deverá ser abaixo do mínimo.


 


 

Mulheres só receberam vassouras de baixa qualidade para o trabalho

“Já tivemos quatro dias cortados. Um dia duas colegas nossas desmaiaram por causa do trabalho e cortaram nosso ponto porque fomos socorrer”, fala Gicelma, aprovada em concurso para servente que reclama da atual função. Segundo outras companheiras, certa vez o ponto chegou a ser cortado porque elas pararam para beber água.


 


Sob olhares dos informantes


 


Enquanto varrem as vias públicas de Malhada dos Bois, todas são observadas por cinco homens de confiança do prefeito que, segundo elas, derrubam baldes com lixo e areia recolhido por elas propositalmente. “Falam que é pra gente varrer de novo e que isso tudo é pra gente aprender a votar certo”, diz Rita de Cássia.


 


 

Rita de Cássia (centro da foto): revolta com a humilhação

No primeiro dia de trabalho, esses informantes bebiam champagne enquanto assistiam as mulheres recolherem uma quantidade de areia que encheu três caçambas. Entre elas, nesse dia, uma merendeira recém-operada, que precisou retirar o útero há três meses, cujo atestado não foi aceito inicialmente pela prefeitura.


 


Revoltadas com a situação, todas foram à delegacia da cidade de Cedro do São João registrar queixa por assédio moral e exploração. Depois disso a situação foi um pouco amenizada. “Foi aí que aceitaram o atestado médico dela e nos deram direito a parar 15 minutos para beber água”, conta Maria Madalena.


 





Fonte: Glauco Vin?cius e Raquel Almeida da Infonet


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